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  • Paola Antony

Leonel Laterza


Mineiro de Uberaba, radicado em Brasília desde 1970, Leonel Laterza teve a infância marcada pela música e sua iniciação musical se deu na Escola de Música de Brasília.

Influenciado pela bossa nova, MPB e jazz, Leonel mostra recursos que lhe permitem visitar, de maneira particular, os mais variados gêneros musicais. São 30 anos de carreira em que ele já se apresentou ao lado de importantes nomes da música brasileira, como Roberto Menescal, Fátima Guedes, Sueli Costa, Zé Luiz Mazziotti, Sérgio Santos e Rosa Passos, de quem é afilhado musical. Leonel também participou de inúmeros projetos e lançou discos e singles autorais e em parcerias.

Leonel Laterza tem também gravados os discos: Delicadeza, Asas em Mim, O Avesso do Tempo e Cais Trio, álbum do trio formado por ele, pelo violonista Paulo André Tavares e pelo baterista Daniel Backer.


Paola Antony – Leonel, fui ouvi-lo hoje e me lembrei dessa sua pegada de intérprete, bem sensível, pois você coloca emoção no canto, hein?

Leonel Laterza – Nossa, Paola, você foi no alvo, porque a ideia é trabalhar a música e internalizar a música até que ela se naturalize, entende? Eu acho que a arte precisa disso. Quando é muito construída, planejada, pavimentada, ela sai como se fosse sua. É como se eu pegasse um prédio e colocasse as coisas do jeito que quero, pintasse do jeito que quero, decorasse do jeito que quero e vai ficar a minha cara, então, é importante essa naturalização das coisas. Isso vale para tudo, para todas as artes que se propõem a provocar, a ser mapeamento de expressão realmente.

Paola Antony – Leonel, vamos dar uma passeada no tempo e lembrar juntos dos seus trabalhos. A gente pode ir lá no seu primeiro disco, que tal?

Leonel Laterza – Vamos. O meu primeiro álbum, que foi lançado em 2006, chama-se Esmeraldas. Foi o primeiro disco que fiz depois de muitos anos de carreira, porque naquela época já estava mais fácil, mas ainda era um pouco difícil gravar, precisava ter muito dinheiro para gravar em estúdio e, por isso, foi um disco feito com muito suor, muita ralação. Eu consegui graças a um recurso do FAC. Não foi 100% com recurso do FAC, eu tive de completar do meu bolso. Teve produção do Hamilton Pinheiro, que eu conheci na época, superbaixista, que é meu brother até hoje, a gente faz muitas coisas juntos ainda.

Desse disco eu destaco a música Esmeraldas, que é uma canção da Rosa Passos e do Fernando de Oliveira. Esse trabalho teve um dedo muito importante da Rosa, porque foi ela que falou para eu gravar essa música. Uma vez ela me encontrou cantando, eu ainda não a conhecia pessoalmente, e, quando desci do palco, ela veio me procurar, eu e meu irmão, para elogiar nossa execução: "Nossa, vocês são demais!". Sua voz não sei que, seu violão não sei que lá e, "Olha, eu tenho uma música que, na hora em que eu ouvi você cantando, eu pensei: aquela minha música Esmeraldas é para o Leonel cantar".

Já o álbum que gravei em seguida foi em 2011, mas, entre 2006 e 2011, comecei a fazer muitos trabalhos em palco que me deram muita alegria, como o show Ave Rara, só com canções de Edu Lobo. Esse foi o trabalho que eu executei mais vezes e com que fui premiado e contemplado. Como o Edu Lobo é muito desafiador, foi um aprendizado muito grande para mim como cantor e intérprete.

Também fiz um trabalho em homenagem aos 50 anos da bossa nova que me deu muitas alegrias e a oportunidade de fazer uma produção do caramba, porque tive o patrocínio de uma amante da música, como se fosse uma marchand, sabe? Desse show da bossa nova, por exemplo, umas 3 ou 4 canções entraram no álbum que eu gravei em seguida, o Guardados, que é um disco que tem muita bossa nova. Esse foi um outro trabalho patrocinado pelo FAC e que teve positivamente uma superexperiência minha, porque, diante das experiências que tive anteriormente, me senti muito preparado para iniciar uma produção fonográfica nova e nesse disco dá para ver muito isso. Tive vários arranjadores e a participação de 20 músicos diferentes. Eu me dei a esse luxo, vamos dizer assim, de gozar desse prestígio que eu me vi tendo dentro do meio musical. Eu me senti muito amado e me sinto muito querido dentro do meio musical. Sou muito grato, fico muito feliz em transitar no meio dessa galera muito "foda" de Brasília.


A entrevista completa de Leonel Laterza para o Cumbuca está em áudio, com uma seleção musical que percorre sua carreira e que pode ser conferida no SoundCloud da Rádio Eixo.






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