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  • Paola Antony

Alessandro Oliveira

Atualizado: 6 de dez. de 2022


Alessandro Oliveira é comunicador, radialista e músico e vem ao Cumbuca nos apresentar seu primeiro disco, Fazendo Bico, em que ele solou as 8 faixas assoviando.

Paola Antony – Alessandro, primeiro, muito obrigada por ter aceitado o convite de falar do Fazendo Bico aqui no Cumbuca da Rádio Eixo. Conte-me, desde quando você “faz bico”?

Alessandro Oliveira – Essa coisa de assoviar surgiu como uma brincadeira, mas que tinha um propósito. Eu sempre fui muito ligado ao rádio, que era para mim uma fonte inesgotável de satisfação, porque ouvir música, desde pequeno, me dava muito prazer. Na época a gente não tinha essa facilidade de hoje para ouvir música. Na juventude vivi muito aquela emoção de ouvir uma música no rádio, desconhecida, ficar arrepiado com a música e ficar louco para o locutor desanunciar a música e dizer quem estava tocando, e às vezes não acontecia, por isso eu descobri o assovio. Quero dizer, o assovio era uma forma de ouvir as melodias de que eu gostava sem tê-las disponíveis para executar no momento. Eu gravava a melodia e tentava reproduzi-la de alguma forma. Não tocava nenhum instrumento e comecei a assoviar.

E assim o tempo foi passando e talvez alguma característica anatômica do aparelho fonador tenha favorecido para que eu conseguisse uma boa emissão e tivesse a capacidade de buscar alguma afinação próxima das músicas. Como uma brincadeira de criança, eu comecei a desenvolver esse assovio de uma maneira muito diletante. Nunca tive intenção de desenvolver qualquer atividade artística relacionada ao assovio, isso surgiu a partir do contato com os músicos. Foram eles que falaram: "Olha, você tem uma responsabilidade com esse assovio, você assovia bem, tem de fazer alguma coisa".

Paola Antony – E aí, qual foi aquele momento em que você pensou, quer saber, vou gravar um disco, vou virar assoviador profissional?

Alessandro Oliveira – Pois é, os amigos músicos me motivaram muito e eu fiquei com aquilo na cabeça. Eles plantaram a semente e eu comecei a considerar a possibilidade em um momento de ócio criativo, em que eu tive um acidente de moto, leve, mas que ofendeu um osso de difícil calcificação, quando fiquei com gesso por uns 4 meses.

Nesse processo, depois que tirei o gesso e fui fazer fisioterapia, me deu um estalo e pensei: "Por que não?". Fiz contato com uma figura muito grata da nossa cidade, um produtor musical prolífico, instrumentista, compositor, que é o Dudu Maia. Vou falar com o Dudu, porque o trabalho dele é muito bom e é um cara que conheço, é próximo. Fui perguntar como era o esquema do estúdio, agenda, valores, dinâmica de trabalho, e a resposta que eu ouvi foi inesperada. Em vez de ele falar dessas coisas, colocou uma condição de cara: "Olha, muito obrigada pela ligação. Eu topo fazer o trabalho, mas se você permitir que eu seja o diretor musical". Mirei no que vi e acertei no que não vi. E, aí, a coisa começou a andar, porque ele assumiu o projeto e eu comecei a arregimentar os músicos, não só os instrumentistas para a gravação, mas também os compositores, porque a intenção foi fazer um disco de repertório instrumental com compositores daqui.

São 8 faixas de vários compositores da cidade, como Hamilton de Holanda, Fernando César, Wilson Bebel, Pedro Vasconcellos, Pablo Fagundes, Dudu Maia, com duas composições, Bruno Berê, Marcus Moraes. Só a turma da pesada mesmo, que hoje são expoentes da música feita em Brasília.

Paola Antony – Acaba sendo uma vitrine para os nossos compositores.

Alessandro Oliveira – Isso, é um recorte de um momento em que uma parcela dos músicos que fazia a cena musical da cidade estava também participando do disco. É um corte no tempo, ou seja, acaba sendo um registro histórico.


A entrevista completa de Alessandro Oliveira para o Cumbuca, está em áudio, com uma seleção musical que percorre sua carreira e que pode ser conferida no SoundCloud da Rádio Eixo.


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